sábado, 25 de abril de 2009

A paixão segundo H.H

Este poemacanção, é parte do poema "Ode descontínua e remota para flauta e oboé", da poeta paulista Hilda Hilst, publicado no livro "Júbilo, memória, noviciado da paixão" em 1974. Confesso que conheço pouco de sua obra, li algumas poesias há um tempo atrás, mas nada muito profundo. Este ano fui apresentada a sua poesia por Zeca Baleiro - diante disso - fizemos as pazes. Ele musicou os poemas, e chamou grandes vozes femininas para interpretá-los, entre essas vozes, Angela Rô Rô agracia-nos com sua bela e emocionante interpretação da "Canção V", transcrita abaixo, porém o cd todo é digno de ser dionisicamente bebido.



Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio,
se me amas, podes dizer que não.
Pouco me importa
ser nada à tua volta,
sombra, coisa esgarçada
no entendimento de tua mãe e irmã.
A mim me importa, Dionísio, o que dizes deitado ao meu ouvido
e o que tu dizes nem pode ser cantado
porque é palavra de luta e despudor.
E no meu verso se faria injúria
E no meu quarto se faz verbo de amor.

sábado, 18 de abril de 2009

"Navegar é preciso"

Nunca esqueço da tarde em que visitei a exposição de Rodin e Camille Claudel, foi uma tarde de águas grandes, a história daquela mulher me marcou profundamente. Tive medo do que o Amor poderia causar na vida de alguém. Não poderia iniciar este espaço refletindo sobre outro tema, que não fosse o “Amor”, porém falo daquele “que conhece o que é verdade”, e não de sentimentos baseados em equívocos. Demorei um pouco a crer na bonita filosofia bruniana sobre o Amor, talvez por teimosia ou “encastelamento”, para usar seu termo. Sinto-me com se voltasse de uma grande viagem, aquela já feita por Max, Pessoa e tantos outros. Naveguei sem medo, já que o mar me era um estranho conhecido, e assim me permiti lançar as redes, sabendo a todo instante que talvez não encontrasse peixes, nem pérolas. Mas essa, era minha “Travessia”, ninguém poderia fazê-la, senão eu mesma. E assim segui, em meu barco ébrio. Sou outra depois desta viagem, como nunca ousei ser, e como Max, trouxe “astros e asas”. Todo começo necessita de coragem. Coragem de abandonar. É preciso viver, e deixar morrer o que faz mal a nós, e aos outros. Creio, no verdadeiro Amor, já que sem ele, nós nada seriamos. É com esse sentimento que inauguro este espaço. No mais é "Deixa Deixa". Beijos com muito Amor para todos.

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